"Dez pesetas e nunca mais você toca punheta, chingo!" Henry estava bebâdo, segurando uma garrafa de rum sentado na quina da murada da praia com uma sacola cheia de limões. A lua brilhava sobre as águas de Varadero, refletindo o brilho da lâmina que cortava mais um limão. Atrás de nós, o mural com Che sorrindo para uns companheiros sem camisa, cobria o pano de fundo da noite mais quente e tranquila que já tive em Havana. Uma foto tirada na mesma praia e com o "Motto" nacional: "Hasta la vitoria siempre". Mas alguém riscou "la vitoria" de Castro fora e pixaram trocando por Luego. Henry era Juan, mas se achava mais um desses Cubanos que foram influenciados por Miami, porque Miami é um país aparte aqui, e virou um dealerzinho de prazeres cubanos que até o nome que ele apresentava era diferente. Um verdadeiro marginal de péssima categoria. Conheci me oferecendo puta, charutos, água filtrada e benzida, uma criança cega, rum, e, um passeio no terreiro de Santeria. Tudo que ele é eu desprezo... Mas a Santeria era algo único e eu já tinha houvido falar sobre isso antes. É uma macumba bem mais jamaicana do que qualquer outra coisa. Um Vodu de terreiro de faca preta, chão triscado, galinha sem cabeça, sangue e rum. Muito ruim. Lá, eu fui acompanhando seu inglês horrível achando que eu era gringo. Não deixo de ser. Mas brasileiro nunca é gringo. Pelo menos, eu achava.
Me apresentou pra uma senhora gorda com olhos negros como a noite, seu olhar era de desolação, me olhava como se eu estivesse perdido.
"No hay nada como la incertidumbre del corazón."
"Que dizes?"
"Sus manos..."
Eu entreguei minhas mãos e entramos num descampado. Uma negra linda rodava banhada em sangue, os tambores batiam junto com o compasso do meu coração. Eu suava. Cuspiram Rum em mim. Fumaram envolta. E ela dançava. Eu não conseguia falar mais nada. E ai veio o velho Gerges. Eu não sabia que eu sabia quem ele era, mas eu sabia. O velho Gerges. Me disse apenas uma palavra. Beba. E como um comando mágico, eu bebi. Uma mistura negra. Um gosto de terra. E eu dançava. Rodopiava. Eu não era mais eu. Eu era gringo. Era Gerges. Tinha peitos, depois era negro. Tinha metros de altura e larguras de consciência. Eu suava. Eu suava. Engolia a língua da negra com seus tufos cacheadas e sua boca cor de romã. Eu rodava.
E acordava encostado na mureta. Ao lado desse traste de pessoa. Com uma negra deitada no meu colo olhando para meu corpo nu, com o olhar fixo no meu pau.
"Dez pesetas e nunca mais você toca punheta, chingo!"
Eu tentava desviar meu olhar dela, dele, da praia, e, só pensava que se essa era a noite mais tranquila aqui, penso nas últimas 26 noites. E saber que vou embora em alguns dias. Será que eu volto? Então, cabe contar as noites com detalhes. Sem ter medo.
Mas já sei que sentirei falta daqui. Da negra muda deitada no meu colo. Do Salazar e sua comida excelente, o jogo de beisebol que se estendeu com a força nacional. A politica. O rosto do Guevara estampado em todos os lugares. O orgulho. Caró. Midas.
Eu vou embora e leio ainda embriagado e enjoado:
Hasta Luego Siempre.
quarta-feira
segunda-feira
Miguel, Eu Te Amo
Eu já te falei que eu tenho
raiva dessa mulher. Eu já te falei que eu tenho raiva dessa mulher? Benjamin
abre o meu armário, meu filho e pega a caixa de sapato que tá ali encima. Isso.
Trás aqui. Tá vendo essa foto aqui. Essa foto foi tirada em oitenta e oito. Acho
que noventa. Como seu pai tá bonito. Foi na hípica. Pegou bem os cavalos
correndo no fundo. E esse bigode, meu deus. Olhando assim parece que é dos anos
setenta, né? Mas o Miguel era meio clássico. Não é velho. É clássico. Bonito. Coisa
que não se vê mais. Mas bem... eu tô junto com seu pai e ela tá na foto também.
Ela não aparece, mas ela tá aí. Ela tá em cada movimento calculado que eu
achava que era frio na barriga, cada gesto que era para mim, ele ensaiava para
depois encenar com ela, cada dinheiro de aposta ganho, era comida em casa e presente
pra ela. A gente chegou cedo e fomos comer algo, depois pegamos os bilhetes e
encontramos com o seu tio e seu padrinho. Eles foram tomar uma cerveja, uns
minutos antes dessa foto ele ficou apreensivo, ele parece sério nela, eu sempre
achei que era para parecer mais bonito. Você tira uma foto? Pedi pra moça que passava.
uma moça bonita de cabelos loiros até a cintura. Ela tirou e saiu andando. Ele
ainda ficou um pouco sério ali. O que foi? Apostei demais. Acho que vou perder.
Foi o que ele disse. Idiota. Como eu fui idiota. ‘Apostei demais...’ Hah. Naquele
dia ganhamos o triplo da aposta. Requer muita prática para saber que está
morto. E você não morre de uma vez. Vai morrendo aos pouquinhos. É como
escrever. Uma carta de amor. Algo assim. Quando você tem tempo você escreve,
quando você não tem saco você bebe. Desculpa, meu filho, mas é a verdade. Eu queria
que se fodesse toda a comida que ele colocava em casa. Eu quero os presentes
dela. O que ele comprava? Será que ela se pavoneava toda com roupas minúsculas
e depois ia dar pra ele ou eles andavam no carro do ano que seu pai trocava
sempre desfilando com sua puta troféu no centro? Ela andava com nossos amigos.
Será que fazia amor melhor que... Fazer amor. Olha a piada aí. Eu digo fazer
amor. Você, por favor, não ri de mim. Trocava de carro todo ano para tirar o
cheiro de puta, isso sim. ‘Eu sou um apaixonado por carros’. Burra. No fim de
semana, queria todo mundo junto. Eu, você, seus sobrinhos. Gostava da casa
cheia. Foi isso que nunca suspeitei. Nunca no fim de semana. Deveria ser na
hora do almoço da firma. Nas noites, de trabalho e plantão. Plantão de
emergência, como ele dizia. Quase toda semana. Cinco anos na firma, ele dizia
que era de confiança e era difícil deixar outros cuidarem do sistema. Burra.
Nunca no fim de semana, nem sequer uma vez. Adorava cozinhar pra mim, para
vocês. Acordava cedo no domingo e inventava algo. Colocava Cartola pra tocar.
Lembra o dia do Leitão. Ele chegou sexta de noite com um porco! Imagina! Mas
Miguel onde a gente vai colocar isso? Não tem nem como fazer. ‘Deixa comigo.’
Quando seu pai falava ‘deixa comigo’, nossa... Bom. Miguel pegou toda a lenha
guardada, foi no quintal, lembra? Sim. Você acordando gritando, tem um porco
sendo assado! Eu ria. Todos os meninos correndo brincando de índio em volta do
fogo. E o bichão no espeto. Cerveja demais. Todo mundo desceu. Do rio. De Petrópolis.
Desce ou sobe? Não sei. Todo mundo veio. De repente, foi uma festa. Foi bom.
Você falava, pode ser meu aniversário hoje? Seu pai te respondeu, Não. É o nosso.
Aí caiu a ficha. Não tinha percebido. Não estava entendendo nada. Seu pai parou
a música. Noel. Ajoelhou no meio de todo mundo. Marta, obrigado por casar
comigo e ser a mulher da minha vida. Casa comigo, de novo? Era nosso
aniversário e eu casei de novo na mesma semana. Ele tinha arranjado tudo. Tudo
em pequenas coisas. Todo mundo sabia. Seu padrinho, bêbado, veio me
cumprimentar. ‘Marta, não importa o que aconteça, o Miguel faz tudo pensando em
você.’ Isso ficou na minha cabeça para sempre. Foi lindo. Me senti uma menina.
Seu pai era bom pra mim. Uma semana depois, Campos do Jordão, na mesa de
jantar, ele sorrindo, tomando vinho, seu bigode cheio de vinho, ele pousa a
taça. Fica sério. Contrai o rosto e cai no chão. Se contorcendo com a mão no
peito. Fulminante. Ali mesmo. Você ficou na casa do seu tio. E aí, teve o
enterro.
Eu perto do caixão, pensando
que tínhamos acabado de casar, começa um burburinho, eu olho pra trás e vejo
seu tio. Apartando uma mulher alta. Nunca tinha visto. Me chamando. Eu sou a
outra, Marta! Eu gelei. Naquele momento, eu percebi tudo, mas parece que fica
tudo enevoado. Eu olhava pro seu pai, distinto, de terno. ‘Marta, eu preciso falar com você! Me solta
Rubens!’ Ela empurrou seu padrinho. Veio na minha direção. E me entregou um
envelope. Ela chorava e nem olhou pro caixão. Óculos escuro, de luto, mas não
olhou pro caixão. Se dei uma porrada nela? Benjamin, não sabia o que fazer. “Qu-quem
é você?” “Eu sou ela. Desculpa. Não foi por mal. A gente fez um pacto.” E ela
se foi. Tinha uma criança perto do Rubens. Ela puxou o menino. “Vem, Miguel.” E
se foi pra dentro de um táxi. Todo mundo começou a brigar. Você veio e me
abraçou. “Mãe, eu tô aqui.” E ficou lá abraçado á mim. Eu olhava pra ele
sentada. E o tempo parou, não chorava, não soluçava, nada me doía, tudo era
indiferença. Eu nunca mais chorei. Fiquei parada um bom tempo dentro de casa,
sentia o cheiro de seu pai, da roupa, dormia do lado dele da cama. Mas não
chorava. Fiquei com raiva durante muito tempo. Aí. Essa foto. Eu descobri o
envelope faz uns meses. Eu sabia o que era. Minha mão tremia tanto. Quando
abri, tinha um bilhete e uma foto. A foto desse dia na hípica. Atrás escrito,
lê aí.
- Você também estava lá.
Apertando o flash. M.
E o bilhete, é esse aqui, pega
minha carteira.
Isso aqui tava escrito: POR EXÚ.
A PADILHA ME DEU ELE.
Aí, eu sosseguei minha raiva
dele. E virou dela. Mas não de ruim. De que ela queria e ele não deu. Ele deu
pra mim. Queria ser, mas não foi. É boa essa sensação. Esse tempo todo. Era por
mim. Aí eu consegui chorar. Consegui viver me amando. Sabe o que mais eu pen...
Benjamin! Corre lá no portão! Seu padrinho chegou, pega a chave. Deixa guardar
isso tudo. Vai.
.
..
...
Miguel, Eu te amo.
domingo
O VENTO
“A casa era de um vermelho
opaco já repartido pelo tempo. Ele ficou na beira da varanda olhando para o
campo bem além. Ela tocou nele. Ele ia embora pra nunca mais...”
Charles Mingus, Chet Baker,
Ella, Etta, todos eles começam a tocar na minha cabeça ao mesmo tempo. Um
caminhão solitário trazendo bobinas de jatos cruza a estrada em frente de casa.
Um cavalo selvagem relincha e são duas da manhã e o sol refletido brilha por
entre as nuvens grossas. A chuva abranda nesse momento. O frio se assentou e eu
só ouço o barulho dos meus dedos percorrendo o corpo do teclado, o gosto do
café puro, o som do piano de algum jazzista que perdeu os dentes numa briga de
bar e você deitada. Em silêncio. Com o braço por cima do cobertor. Suavemente
respira e só sei que não está morta pelo leve balançar do seu cabelo que
balança na menina do teu beiço. Bem leve. Bem carnudo. Onde jaz uma mordida da
ferida que a tua distância me causa. Que me deixa ali. Tarde. Sem dormir. Rindo
para as paredes sozinhas quando você desaba. Depois do jantar de peixes
suculentos de uma providência japonesa, sem shoyo e sem hashi. Que pra você é
pauzinho. Da sobremesa de flocos nos seus seios, dos odores de nossas axilas
que sorvemos enquanto tu te sentas como num trono feito de tronco e carne. Das
minhas mãos, pâtisserie na massa orgânica e o recheio. O condensado no seu
corpo. E eis aqui. Morta. Desfalecida. Como um anjo a espera de um sinal para
voltar pra casa. Não volta. Fica. Eu te carrego de volta pra vida real quando,
eu contigo, acabar. Acabar de pensar em te ver. Acabar com o café carregado de
promessa. Com o blues cheio de notas de tristeza mesmo com meu sorriso brando
no rosto de quem te olha e termina as linhas sobre o corpo do teclado. Fica. Acorda.
Descobre teu corpo e minha vida.
Nada pode ficar estático. Nada
pode ficar assim. Tu te recobras de lembrar e mudar a posição. Cansou da
posição fetal. Vai pro colo do diabo que passa a mão nos seus cabelos. Enquanto
joga comigo mentalmente, os discos arranhados do Money Jungle. Eu queria que você
na virada olhasse pra mim por aqueles segundos. Aí nada fica no lugar. Nem os
brincos encima do sofá. Teu celular começará a tocar. As luzes piscarão. Nem
meu coração vai parar. Nem minha alma. O Diabo inventando outra língua pra
gente.
Derramando o café, a bebida
toda no teclado. O resto da minha verdade.
Onde bem eu escrevia, “Olha para
mim que eu viro vento.”
Quem colocou essa mulher na
minha lista de músicas favoritas?
“Ela tocou nele. Ele ia embora
pra nunca mais.”
“É abril. A gente se vê.”
“Pelo menos olha pra mim.”
“Se eu olhar vou sentir um
sopro de saudade.”
“Então...”
“O que?”
“Olha para mim que eu viro
vento.”
sexta-feira
Carta a um canalha
Os canalhas estão sempre por aí
entre os malandros.
Eles se vestem de galinhas pretas
em macumba para serem oferenda, dirigem entre os vendedores de bala com um
sorriso de quem mijou e não deu descarga. Usam roupas chiques e visitam a
favela como se fosse parte dela. Processam ciclistas que andam felizes com seus
fones de ouvido. É um insulto ser feliz para um canalha de gravata. Um dano
moral. Quase leviano. E eis então que o canalha resolve encontrar uma farda e
proteger seus canalhas da população. Ser canalha é um ato digno quando é dito
pela mulher que ama. Que chama de canalha com olhar de ‘me come’. Ser canalha
assim é amar assado. Mas, há, o canalha de olhar miúdo e sorriso debochado. Que
não abre os dentes quando lhe fala e sibila depois de dar um gole no seu uísque.
Que é canalha bebendo champagne enquanto seu marido casa canalhas apertando
suas mãos e acariciando seus bolsos. Canalhas que pedem caipirinha sem bagaço.
Que surgem com o cheiro da manhã do diesel. Eles são o diesel. O enxofre. O
negrelho. O pixe. Nós somos o dendê. A gente sabe o que é quente e frio. E
sabemos sobre catracas e rituais á fundo. Nós somos a simpatia. Nós completamos
a água porque o canalha fornece pelo cano. Nós temos o chinelo de dedo. Você
tem a burocracia. Nós somos a lei da rua, da praia, do carioca. A mulher
interesseira reconhece o canalha de longe. Foge porque não se pode sobreviver
na mesma Savannah. Não se pode desviar do tiro se o canalha aponta pra ti e que
mil canalhas caiam á sua direita e a sua esquerda se este canalha for punido.
Nunca!
Não importa. Quantos homens de
bem existam, há de haver canalhas para se equiparar. Mas saiba, não há canalhas
nessa equação o suficiente para destruir a moral e os bons costumes dos malandros.
E nós estamos por todos os lados nesse inverno. Durmam acolhidos, canalhas! Se
enrolem nos seus quatro mil fios egípcios.
Aqui fora, na noite fria, aquecemos nossos corpos com as chamas dos
pneus dos seus carros. Nos cobriremos com as roupas “doadas” por seus
companheiros canalhas. Estamos aqui até o galo despertar e seus vizinhos, cansarem da sua presença porque também são
malandros. E homens de bem. Até quando as luzes de todos os prédios piscarem
quando teu carro com placa de canalha passar. Nós não queremos que você tenha
paz. Nós queremos que você não se esqueça de que você é. Até teus filhos
perguntarem se você é um canalha ditador?
Você é um canalha ditador?
Não. Você é apenas um canalha.
Não tem capacidade de ser ditador.
E, com certeza, nunca será
malandro.
Dia 91 - Ata-me
Suas mãos engalfinhavam o rosto assustado da menina. Seus dedos longos entravam nos cabelos dessa garota.
Ele olhava bem no fundo dos olhos e sorria com sarcasmo. Ela chorava.
"Não lute. Você sabe disso."
Ela segurava o choro e assentia com a cabeça que mais parecia um espasmo ou um calafrio. Esticou uma das mãos e apanhou um objeto.
"Abra a boca."
Ela abre. Ele coloca delicadamente um objeto redondo vermelho com tiras. A bola entra toda na boca da menina. Amarra bem apertado. Ao se afastar você conseguia ver o quadro inteiro. A cadeira de madeira com treliças vitorianas mantinha a menina de cabelos pretos imóvel. Suas mãos cruzavam como se abraçassem pelas costas e um desenho de umas seis ou sete voltas de cordas mantinha eles unidos na coluna central do encosto. Seus pés separados estavam amarrados na cadeira.
Á sua frente uma outra cadeira do mesmo estilo se posicionava á poucos metros. Ela estava assustada. E nua. Seu corpo estava eriçado e ela estava úmida. Muito visível. Ele se sentou. Estava vestido de calças sociais e camisa de botão, bem alinhado que quase não condizia com a cara de marginal, de folha molhada ao vento. De jornal velho amarelado. Não condizia com a abertura de sua braguilha e colocando o pau pra fora já duro. Ela suspirou. Ele se ajeita na cadeira enquanto o pau encara a menina. Retira do bolso um controle e aponta para um som. Ele faz seus barulhos de máquinas e pluga algo.
Uma voz rouca, parecida com a do homem.
Ele saca uma arma da cintura.
Ela olha atônita.
Ele Começa a se masturbar.
"Tá gravando? Tá... acho que tá."
A arma é uma 45 preta. Auto. Ele aponta para a direção dela. Com um braço em riste ele começa o movimento com a outra mão. a gravação inicia.
"Você está linda assim. Eu tenho planejado te ver assim desde sempre. Desde quando eu quis te comer pela primeira vez. Lembra? Lembra quando você ajoelhou no fundo do bar e pagou um boquete pra mim? Lembra? Lembra que a porra desceu pela sua cara e o que você tomou, você ficou me beijando depois? Eu adorei aquilo. Ficou com gosto de porra a noite toda. Nem quis beber mais.
Um barulho de microfonia chia um pouco e se regula.
"Você me ligou para dizer que estava se masturbando pensando em mim. 'Manda em mim', você disse. 'Manda em mim, filho da puta'. Eu mandei você enfiar o pepino na sua buceta e ir para o trabalho com ele. Depois você fez uma salada.
Ela geme e fecha um poucos os olhos como se visse a cena.
"Vinte e quatro horas sem poder comer. Te deixei tremendo de jejum. Só podendo tomar leite. No fim, quando te alimentei. Uma hora antes soquei a rola na sua garganta e fiz você gorfar. Um rio puro e esbranquiçado."
A glande vermelha e quente é apertada com todos os dedos envolta do membro.
"Nossos mijos um para o outro. Seu nome na coleira. As fotos na parede da sala do seu chicote. Seu lugar de dormir quando se comporta mal. Os plugs que aumentavam e a sua voz dizendo bom dia."
O batimento cardíaco aumenta. Ele toca. Ela sua. Um mel em gota longa desce pelas pernas dela, toca a cadeira e escorre entre a palha do assento.
"A velas derretidas nos seus seios. Eu comendo você de quatro, revezando do cu para a boca. Da boca para a buceta e voltando. Tudo que nos fizemos. Tudo que criamos juntos. A gente não se saciava. Até esgotar as possibilidades. Especialmente, com todos os fetiches."
Ele se controla. Seu braço treme com o peso da arma.
"Nós fizemos tudo e hoje eu quis fazer essa surpresa. O cheiro de acácias na casa. Eu com a roupa que você acha lindo. Você nua e amarrada e amordaçada. Tudo que a gente um dia sonhou.'Tem que ser surpresa'. Isso é para você. Para você gozar olhando. Eu sei que você adora me ver se masturbando. Então, eu quero que você não tire os olhos de mim. Eu vou te dar porra. Eu vou gozar como nunca gozei antes pra ti. Você não queria ser surpreendida, minha putinha? Então, aproveita."
Ele toca mais rápido. Ela está toda molhada e suada. Não para de pingar e não se controla. Geme e se derrete dando umas tremidas com o corpo, mas não como quem quer se soltar.Sua punheta é violenta e ele não consegue parar de olhar para ela. O braço estendido dói. Mas ele aguenta. è para ela. É tudo para ela. Ele jorra no próprio peito, na calça, o gozo esvai-se em leite e odores. Fecha os olhos. Todo ele é uma massa uniforme de nada. Seu braço estendido treme. Abre os olhos. Encara ela e sorri.
"Surpresa."
Vira a arma para sua própria cabeça e atira. Seus olhos reviram. Ele ainda tremia e gozava. Ela arfa algo. Seu corpo se dobra perante o seu pau. A cabeça em direção ao tronco. Ela encara a cena. Tenta se soltar. Não. Tenta parar de se vir. De gozar. Não consegue. Continua olhando.
...
Ainda gozou três vezes antes da polícia a soltar.
Ele olhava bem no fundo dos olhos e sorria com sarcasmo. Ela chorava.
"Não lute. Você sabe disso."
Ela segurava o choro e assentia com a cabeça que mais parecia um espasmo ou um calafrio. Esticou uma das mãos e apanhou um objeto.
"Abra a boca."
Ela abre. Ele coloca delicadamente um objeto redondo vermelho com tiras. A bola entra toda na boca da menina. Amarra bem apertado. Ao se afastar você conseguia ver o quadro inteiro. A cadeira de madeira com treliças vitorianas mantinha a menina de cabelos pretos imóvel. Suas mãos cruzavam como se abraçassem pelas costas e um desenho de umas seis ou sete voltas de cordas mantinha eles unidos na coluna central do encosto. Seus pés separados estavam amarrados na cadeira.
Á sua frente uma outra cadeira do mesmo estilo se posicionava á poucos metros. Ela estava assustada. E nua. Seu corpo estava eriçado e ela estava úmida. Muito visível. Ele se sentou. Estava vestido de calças sociais e camisa de botão, bem alinhado que quase não condizia com a cara de marginal, de folha molhada ao vento. De jornal velho amarelado. Não condizia com a abertura de sua braguilha e colocando o pau pra fora já duro. Ela suspirou. Ele se ajeita na cadeira enquanto o pau encara a menina. Retira do bolso um controle e aponta para um som. Ele faz seus barulhos de máquinas e pluga algo.
Uma voz rouca, parecida com a do homem.
Ele saca uma arma da cintura.
Ela olha atônita.
Ele Começa a se masturbar.
"Tá gravando? Tá... acho que tá."
A arma é uma 45 preta. Auto. Ele aponta para a direção dela. Com um braço em riste ele começa o movimento com a outra mão. a gravação inicia.
"Você está linda assim. Eu tenho planejado te ver assim desde sempre. Desde quando eu quis te comer pela primeira vez. Lembra? Lembra quando você ajoelhou no fundo do bar e pagou um boquete pra mim? Lembra? Lembra que a porra desceu pela sua cara e o que você tomou, você ficou me beijando depois? Eu adorei aquilo. Ficou com gosto de porra a noite toda. Nem quis beber mais.
Um barulho de microfonia chia um pouco e se regula.
"Você me ligou para dizer que estava se masturbando pensando em mim. 'Manda em mim', você disse. 'Manda em mim, filho da puta'. Eu mandei você enfiar o pepino na sua buceta e ir para o trabalho com ele. Depois você fez uma salada.
Ela geme e fecha um poucos os olhos como se visse a cena.
"Vinte e quatro horas sem poder comer. Te deixei tremendo de jejum. Só podendo tomar leite. No fim, quando te alimentei. Uma hora antes soquei a rola na sua garganta e fiz você gorfar. Um rio puro e esbranquiçado."
A glande vermelha e quente é apertada com todos os dedos envolta do membro.
"Nossos mijos um para o outro. Seu nome na coleira. As fotos na parede da sala do seu chicote. Seu lugar de dormir quando se comporta mal. Os plugs que aumentavam e a sua voz dizendo bom dia."
O batimento cardíaco aumenta. Ele toca. Ela sua. Um mel em gota longa desce pelas pernas dela, toca a cadeira e escorre entre a palha do assento.
"A velas derretidas nos seus seios. Eu comendo você de quatro, revezando do cu para a boca. Da boca para a buceta e voltando. Tudo que nos fizemos. Tudo que criamos juntos. A gente não se saciava. Até esgotar as possibilidades. Especialmente, com todos os fetiches."
Ele se controla. Seu braço treme com o peso da arma.
"Nós fizemos tudo e hoje eu quis fazer essa surpresa. O cheiro de acácias na casa. Eu com a roupa que você acha lindo. Você nua e amarrada e amordaçada. Tudo que a gente um dia sonhou.'Tem que ser surpresa'. Isso é para você. Para você gozar olhando. Eu sei que você adora me ver se masturbando. Então, eu quero que você não tire os olhos de mim. Eu vou te dar porra. Eu vou gozar como nunca gozei antes pra ti. Você não queria ser surpreendida, minha putinha? Então, aproveita."
Ele toca mais rápido. Ela está toda molhada e suada. Não para de pingar e não se controla. Geme e se derrete dando umas tremidas com o corpo, mas não como quem quer se soltar.Sua punheta é violenta e ele não consegue parar de olhar para ela. O braço estendido dói. Mas ele aguenta. è para ela. É tudo para ela. Ele jorra no próprio peito, na calça, o gozo esvai-se em leite e odores. Fecha os olhos. Todo ele é uma massa uniforme de nada. Seu braço estendido treme. Abre os olhos. Encara ela e sorri.
"Surpresa."
Vira a arma para sua própria cabeça e atira. Seus olhos reviram. Ele ainda tremia e gozava. Ela arfa algo. Seu corpo se dobra perante o seu pau. A cabeça em direção ao tronco. Ela encara a cena. Tenta se soltar. Não. Tenta parar de se vir. De gozar. Não consegue. Continua olhando.
...
Ainda gozou três vezes antes da polícia a soltar.
quinta-feira
Dia 90 - Balada
Hoje meu dia foi memorável. Foi talvez um dos meus melhores dias.
Foi aquele tipo de dia que acontece algo inacreditável.
Você que está lendo isso agora, pare e reflita um pouco em algum dia que teve um acontecimento único e maravilhoso.
Tire alguns minutos. O meu foi você. Você mesmo que está lendo isso.
Quando eu não te vejo, quando eu não te tenho e quando o tempo tá fechado e frio que ficamos tristes ou muito quente e abafado que não podemos pensar.
Eu sempre penso em você. Na verdade, meu dia é ótimo quando você vem me trazer um doce.
Ou me beijar e dizer seu dia.
Se o carro parou numa batida. Se o preço da festa tá muito caro. Quando eu faço o seu prato preferido. Ou quando você deita no meu peito. Calmamente, se leva pro mundo dos sonhos.
Sua pequena cabeça pesa e eu sinto o cheiro dos seus cabelos, e, meu hábito de passar meus dedos por entre eles até sua nuca. Cafuné de quem não precisa de cafuné porque já dormiu.
E seu braço deitado no meu colo. Seu leve respirar de quem dorme como um infante protegido por qualquer força superior seja ela meramente conhecida como Deus.
E os dias que você não vem. Esses são os piores porque eu sinto falta de você.
É. Ás vezes, eu sinto falta de você.
Então eu pego sempre um pedaço de ti.
Um pouco de cheiro. um tanto de pêlo. Um bocado de gosto e guardo tudo.
Pra quando eu sentir saudades eu desguardo e abro pra amar você um pouco mais.
Você é minha só por deixar ser, então, seja minha por querer.
Que eu quero sempre mais e mais você junto e próximo.
Mesmo não sabendo fritar um ovo. Com a paciência única de quem não tem paciência no trânsito. Preferindo a festa particular nossa.
Sempre babando no meu peito e disfarçando.
Tudo isso é memorável. Você é memorável. Meus melhores dias são você.
terça-feira
Dia 87 - O Velho
Quando a luz voltou, seus olhos estavam meios cegos pela claridade e na sua mão esquerda ele sentia uma bola pesada de lona, como uma bola do tamanho de um punho dessas de velhas que usam para crochê e que gatos teimam em se enrolar.
O frio vinha assobiando por baixo da porta da entrada de casa...
Da janela com os braços meio fechados, pelo vime, ainda se via lá fora as luzes do fim do dia que se esvaia...
O som de alguns cães brincavam na rua. As crianças se endiabravam com o jeito engraçado de pular e morder dos vira-latas que babavam.
Cós de calças rasgadas e blusas sujas de suor.
E o velho lá.
Os cabelos vermelhos das moças jovens pegavam carona com os abraços dos namorados, era o mesmo cheiro das acácias do jardim.
O café já bulia quente no fogo e jé empesteava a casa.
E o velho lá.
Seu coração calmamente foi se fechando, como uma craca que se finalmente assenta numa carcaça de um navio que chegou ao fim de navegar e ali, fica. Parado á beira do mar. A navegar com o solavanco. A solavancar o navegar.
Como um totem de um bastião negro o velho ficava com sua barba branca parado.
Sua mão calmamente se abre e a bola de lona rola. Um pequeno ser de petas negras e olhar manso vem miando pelo chão carmim de azulejos. Ariarranha o novelo olhando para cima.
Se para um pouco.
O café apita.
A acácia cheira.
os cães rosnam.
As crianças riem.
O velho lá.
Dorme.
O frio vinha assobiando por baixo da porta da entrada de casa...
Da janela com os braços meio fechados, pelo vime, ainda se via lá fora as luzes do fim do dia que se esvaia...
O som de alguns cães brincavam na rua. As crianças se endiabravam com o jeito engraçado de pular e morder dos vira-latas que babavam.
Cós de calças rasgadas e blusas sujas de suor.
E o velho lá.
Os cabelos vermelhos das moças jovens pegavam carona com os abraços dos namorados, era o mesmo cheiro das acácias do jardim.
O café já bulia quente no fogo e jé empesteava a casa.
E o velho lá.
Seu coração calmamente foi se fechando, como uma craca que se finalmente assenta numa carcaça de um navio que chegou ao fim de navegar e ali, fica. Parado á beira do mar. A navegar com o solavanco. A solavancar o navegar.
Como um totem de um bastião negro o velho ficava com sua barba branca parado.
Sua mão calmamente se abre e a bola de lona rola. Um pequeno ser de petas negras e olhar manso vem miando pelo chão carmim de azulejos. Ariarranha o novelo olhando para cima.
Se para um pouco.
O café apita.
A acácia cheira.
os cães rosnam.
As crianças riem.
O velho lá.
Dorme.
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